São Paulo prepara operação contra incêndios diante de nova onda de calor

O Governo de São Paulo prepara uma força-tarefa para enfrentar a nova onda de calor prevista para a próxima semana, com temperaturas que podem ficar até 7°C acima da média em algumas regiões do Estado. A estratégia tem como foco a prevenção de incêndios florestais e a proteção da população diante da combinação de calor intenso, baixa umidade do ar e vegetação ressecada.

Coordenada pela Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), a operação reúne a Fundação Florestal, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), a Defesa Civil, o Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar Ambiental.

A Defesa Civil emitiu alerta para as altas temperaturas, que devem persistir até quarta-feira (19). Em algumas cidades do interior, os termômetros podem chegar a 40°C.

“O cenário de calor intenso e baixa umidade exige atenção redobrada, principalmente porque essas condições aumentam o risco de incêndios e também podem trazer impactos à saúde da população”, afirmou o coordenador estadual de Proteção e Defesa Civil, coronel PM Rinaldo de Araujo Monteiro.

Segundo ele, o Estado mantém o monitoramento das condições meteorológicas e atua em conjunto com os municípios para antecipar riscos e agilizar a resposta a eventuais emergências. A população também é orientada a evitar o uso do fogo em áreas de vegetação, manter a hidratação e acompanhar os alertas oficiais.

Gabinete de Crise e tecnologia contra incêndios

Para centralizar as ações durante o período de calor intenso, o Governo de São Paulo anunciou a criação de um Gabinete de Crise no Palácio dos Bandeirantes. A estrutura terá a função de integrar os órgãos estaduais envolvidos e coordenar as medidas de prevenção e resposta.

Nas Unidades de Conservação, a Fundação Florestal ampliou o uso do programa Geointeligência Integrada para Proteção Ambiental, desenvolvido dentro dos investimentos de R$ 19,3 milhões da Operação SP Sem Fogo.

A tecnologia reúne imagens de satélite, drones equipados com sensores termais e sistemas de inteligência artificial. As ferramentas cruzam informações como temperatura, umidade, direção dos ventos e quantidade de vegetação seca para identificar áreas com maior risco de propagação de incêndios.

A expectativa é utilizar essas informações para posicionar as equipes de combate de maneira estratégica e reduzir o tempo de resposta.

Nos parques urbanos administrados pela Diretoria de Parques Urbanos, a prevenção inclui a manutenção de aceiros, faixas de terreno sem vegetação que funcionam como barreiras contra a propagação do fogo.

As equipes também passam por treinamentos periódicos. Em caso de incêndio, o protocolo prevê o acionamento imediato do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil, além do isolamento da área e orientação aos visitantes.

Cetesb amplia monitoramento da qualidade do ar

A Cetesb também reforçou o acompanhamento da qualidade do ar durante o período de estiagem. A rede estadual passou a contar com 85 estações de monitoramento, após a entrada em operação de uma nova unidade automática em Sapopemba, na zona leste da capital.

A companhia também ampliou a medição de partículas finas (MP2,5), com novos analisadores instalados em Santo André-Capuava, Sorocaba e Campinas-Taquaral.

O monitoramento ganha importância durante períodos de tempo seco, quando a baixa umidade e eventuais queimadas podem piorar a qualidade do ar. Os dados são atualizados em tempo real e divulgados diariamente no Boletim de Qualidade do Ar.

Para a secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, a integração entre os órgãos é fundamental para antecipar riscos.

“A integração entre a Fundação Florestal, a Cetesb, a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros é essencial para que possamos atuar de forma preventiva e ágil, protegendo nossas áreas verdes e, principalmente, a população paulista”, afirmou.

As regiões de Presidente Prudente, Araçatuba, São José do Rio Preto, Barretos, Franca e Ribeirão Preto estão entre as áreas com previsão de maior elevação das temperaturas, de até 7°C acima da média climatológica.

Em Marília, Bauru, Araraquara, Campinas e na Região Metropolitana de São Paulo, a previsão indica temperaturas entre 3°C e 5°C acima da média.

As autoridades recomendam que a população não utilize fogo para a limpeza de terrenos e não descarte bitucas de cigarro em áreas com vegetação seca. Durante atividades rurais, a orientação é redobrar os cuidados para evitar a ocorrência de focos de incêndio.

Em relação à saúde, a recomendação é manter a hidratação, reduzir a exposição ao sol nos horários de maior calor e diminuir a prática de atividades físicas ao ar livre durante os períodos de temperaturas mais elevadas.

Operação SP Sem Fogo 2026

A fase vermelha da Operação SP Sem Fogo 2026 permanece em vigor até outubro, com investimentos de aproximadamente R$ 400 milhões para prevenção e combate aos incêndios florestais durante a estiagem.

Entre as ferramentas utilizadas pelo Estado estão o Painel de Inteligência SP Sem Fogo, com recursos de inteligência artificial, o sistema Muralha do Fogo, o monitoramento por satélite e uma parceria com o aplicativo Waze para identificação colaborativa de focos de incêndio.

Mais de 3 mil agentes multiplicadores já foram capacitados, enquanto 613 municípios aderiram ao Plano de Contingência para Estiagem.

Do total de investimentos, a Defesa Civil destinou R$ 90,4 milhões para equipamentos, a Fundação Florestal aplicou R$ 19,3 milhões em ações de proteção das Unidades de Conservação e o DER-SP prevê R$ 288,9 milhões para manutenção preventiva das rodovias.

Com o reforço do monitoramento meteorológico, o uso de tecnologia e a atuação integrada das equipes, o Estado busca reduzir os riscos e acelerar a resposta a incêndios durante o período de maior vulnerabilidade ambiental.

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