
A tomada de decisão baseada em dados será um dos temas centrais da apresentação de Sabrina Ciane Condi no SINATUB26 – Congresso Usinas de Alta Performance, que acontece nos dias 13 e 14 de maio, em Ribeirão Preto (SP). Especialista em biotecnologia e bioprocessos, a profissional defende que o setor sucroenergético precisa abandonar decisões automáticas e colocar a inteligência analítica no centro da estratégia industrial.
Segundo Sabrina, muitas usinas ainda operam baseadas em práticas antigas, repetindo dosagens e correções sem uma investigação aprofundada da causa dos problemas. Para ela, reduzir custos hoje não significa apenas cortar insumos, mas usar informações de processo para decidir com mais precisão quando e como agir.
Análises metagenômicas
Entre os recursos que devem ganhar destaque em sua palestra estão as análises metagenômicas, capazes de identificar o perfil bacteriano presente na fermentação e até detectar resistência a antibióticos. A tecnologia permite evitar aplicações ineficientes e desperdícios em tratamentos que não terão efeito sobre determinadas bactérias contaminantes.
Outro ponto abordado será a análise de minerais no mosto, prática considerada simples, mas ainda pouco utilizada pelas usinas. De acordo com Sabrina, muitos problemas de viabilidade celular são tratados com suplementação automática de nutrientes, quando, em alguns casos, o verdadeiro problema é justamente o excesso de minerais no sistema, comprometendo a performance fermentativa e elevando custos.
Mix alcooleiro requer fermentação mais robusta
A especialista também chama atenção para o atual cenário das usinas com mix mais alcooleiro, impulsionado pela valorização do etanol. Segundo ela, a mudança de foco do açúcar para o etanol exige fermentações mais robustas e processos mais controlados, já que qualquer desvio operacional se transforma rapidamente em gargalo produtivo.
Outro desafio citado é o aumento do preço do ácido sulfúrico, utilizado na correção de pH da fermentação. Para Sabrina, o momento exige ainda mais cautela nas decisões operacionais. “O ácido deixou de ser uma solução automática. Hoje, cada aplicação precisa ser baseada em análise e entendimento da causa-raiz do problema”, afirma.
Competitividade e Otimização de Processos
Na avaliação da especialista, as usinas que conseguirem unir experiência prática de campo com leitura avançada de dados terão maior capacidade de reduzir desperdícios, estabilizar processos e aumentar a competitividade nesta safra.
No SINATUB26, Sabrina estará aprofundando esse tema.

