
A safra de cana-de-açúcar 2026/27 no Centro-Sul poderá terminar com cana em pé para a próxima temporada. A avaliação é de Luiz Carlos Corrêa Carvalho, diretor da Canaplan, durante entrevista ao JornalCana 360 – Especial Fenasucro. Para o especialista, a possível antecipação das chuvas na primavera, associada aos efeitos de um El Niño, pode reduzir os dias disponíveis para moagem e mudar a estratégia das usinas nos próximos meses.
Segundo Carvalho, o cenário climático é hoje uma das principais preocupações do setor. A ocorrência de mais períodos de chuva tende a aumentar os dias de parada das operações e, consequentemente, reduzir o volume de cana processado até o final da safra.
“Uma sensação muito clara que vai ficar cana em pé para outra safra”, afirmou o diretor da Canaplan.
Etanol para acelerar a moagem
Diante desse cenário, a estratégia das usinas poderá passar pela busca de maior velocidade de processamento. Carvalho destaca que a produção de etanol pode ganhar espaço justamente porque permite retirar mais rapidamente a cana do campo.
Na avaliação do especialista, produzir mais etanol hidratado pode ser uma alternativa para acelerar a moagem, enquanto a produção de açúcar tende a limitar a velocidade de processamento.
O comportamento dos preços também entra nessa equação. Carvalho chama atenção para a recuperação das cotações do açúcar, que já ultrapassaram a marca de 16 cents de dólar por libra-peso, melhorando as margens do produto.
Enquanto isso, o etanol enfrenta um ambiente mais desafiador, segundo o diretor da Canaplan. A relação de preços entre os dois produtos será, portanto, um dos fatores que deverão influenciar o mix de produção das usinas ao longo da reta final da safra.
Impacto do El Niño na moagem
A possibilidade de um Super El Niño também aparece no radar do setor. O fenômeno pode provocar mudanças importantes no regime de chuvas e aumentar a incerteza sobre o ritmo de moagem no Centro-Sul.
Para as usinas, a questão não envolve apenas quando a safra poderá terminar, mas também quanto será possível processar antes que as condições climáticas reduzam a janela operacional.
A combinação entre clima, disponibilidade de cana, ritmo industrial e preços de açúcar e etanol deverá definir o desenho dos últimos meses da safra 2026/27.
JornalCana 360: Especial Fenasucro
A entrevista de Luiz Carlos Corrêa Carvalho integra do JornalCana 360 – Especial Fenasucro, que também reúne a participação de Maurílio Biagi Filho, referência histórica do setor sucroenergético, e de Josias Messias, CEO da Pró-Usinas JornalCana.
Biagi Filho compartilha sua experiência e visão sobre os caminhos da bioenergia brasileira, enquanto Josias Messias aborda inteligência humana, liderança, dados, automação e inteligência digital como pilares para a construção de usinas de alta performance industrial.
A íntegra da entrevista de Luiz Carlos Corrêa Carvalho e a edição completa do JornalCana 360 – Especial Fenasucro estão disponíveis no canal oficial do JornalCana no YouTube.

