Safra no Nordeste terá açúcar, milho e custos no centro das decisões

safra 2026/2027 de cana-de-açúcar no Nordeste, prevista para começar em setembro, deverá apresentar um cenário mais favorável para o açúcar do que o observado no início do ciclo no Centro-Sul. Mesmo assim, o setor terá de lidar com desafios como custos elevados, envelhecimento dos canaviais e a expansão do etanol de milho.

Desafios e oportunidades no setor sucroenergético

A avaliação foi apresentada por Tarcílio Ricardo Rodrigues, diretor da Bio Agência, durante a abertura do 41º Simpósio da Agroindústria da Cana-de-Açúcar de Alagoas. Segundo ele, o novo ciclo exigirá disciplina na gestão, controle de custos e decisões estratégicas sobre o mix de produção.

Um dos principais fatores de atenção é o avanço do etanol de milho, cuja produção deverá alcançar 11,2 bilhões de litros na safra 2026/2027, ampliando a concorrência com o etanol de cana. Para o especialista, o milho deixou de ser um fator pontual e passou a influenciar de forma estrutural o mercado de biocombustíveis.

Rodrigues também alertou que a menor renovação dos canaviais, causada pelas restrições financeiras, tende a reduzir os investimentos em tratos culturais, aumentando a pressão sobre a produtividade das lavouras.

Na avaliação do diretor da Bio Agência, a rentabilidade das usinas dependerá do equilíbrio entre açúcar e etanol, da evolução dos preços e da capacidade do etanol ampliar sua participação no consumo dos veículos flex. “Será uma safra que vai exigir muito das empresas, principalmente em gerenciamento de risco”, afirmou.

Simpósio debate inovações e soluções para o setor

Edgar Antunes, presidente da Associação dos Plantadores de cana de Alagoas – Asplana, destacou os desafios do setor e celebrou a conquista da subvenção aos fornecedores: Em um momento de tantas dificuldades, precisamos buscar soluções que aumentem a produtividade, reduzam custos e garantam mais competitividade às nossas propriedades. E é exatamente isso que o simpósio proporciona.  Também tive a satisfação de compartilhar uma das maiores conquistas dos últimos anos para os fornecedores de cana: a subvenção, resultado de muito trabalho, diálogo e união em defesa dos produtores”

Já o presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Etanol de Alagoas (Sindaçúcar-AL), Pedro Robério Nogueira, destacou a importância do Simpósio para debater inovações, mas também de promover reflexão para tomada de decisão do nosso setor.

“O Simpósio chega a sua 41ª edição, começou de forma muito embrionária e hoje chegamos a um evento desta magnitude. Vamos debater aqui os desafios para irrigação, mecanização agrícola e fertilização, sobretudo de bioinsumos, então é um evento muito importante para o setor debater temas de interesse”, completou.

Promovido pela STAB Regional Leste, em parceria com a Universidade Federal de Alagoas (UFAL), o Simpósio prossegue até o próximo dia 10 de julho. O presidente da Sociedade dos Técnicos Alcooleiros e Açucareiros do Brasil – Regional Leste – Stab Leste, Cândido Carnaúba, avalia que os dois eventos vão cumprir mais uma vez o importante papel de ajudar o setor a encontrar alternativas para superar dificuldades.

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